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Sou viciado em computação, Internet e Fotografia. Morei por quase 6 anos, e ainda frequento, Paraty. Sou usuário de softwares Open Source, tendo dado algumas contribuições em diversas ocasiões.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O que fazer com as fotos que sobram?

É muito comum, e normal, tirar bem mais fotos do que o necessário, especialmente os fotógrafos da era da fotografia digital. Mas o que fazer com as "sobras¨, as fotos que não gostaram etc?

Inicialmente eu não gostei desta foto, pois o panning não ficou perfeito. A câmera estava configurada para subir o espelho 1 s antes, pois eu estava fazendo fotos com tripé, ficando assim com um tempo grande de blackout de visor, e consequentemente, eu não consegui acompanhar bem o barco. Eu não gostei da foto, por não ter ficado um panning nítido, mas vi gente que gostou, e creio eu, exatamente por isto. Tenho a impressão que o barco também oscilou verticalmente. E se excluir o fato que não é um panning nítido, a foto ficou realmente legal. (Foto tirada no Rio Perequê-Açú, em Paraty.)

Existem dois comportamentos, que costumam ser extremos, sem muitos meio-termos. Guardar, e apagar.

Apagar

Muitos fotógrafos apagam as fotos que não usaram. Alguns até apagam as que usaram depois de terem usado. Apagam também as fotos que ficaram ruins, não importando o motivo por que não gostaram.

Na fotografia digital é muito fácil descartar seletivamente as fotos, mais fácil do que cromos que não são emoldurados para se tornarem slides, e bem mais fácil ainda do que no caso dos negativos.

A vantagem do descarte é o baixo consumo de espaço, menor preocupação de armazenamento, backup etc. Menos coisas para se preocupar, catalogar...

A desvantagem é se vier a precisar de alguma das fotos apagadas, já era.

Guardar

Este é o meu comportamento (e de modo compulsivo). Se eu não apaguei da câmera, não apago nunca mais. E, mesmo quase nunca apagando na câmera, já me arrependi de ter apagado uma. Me arrependi de ter apagado uma foto clara demais, pois ela teria provado por que eu usei subexposição de 2 pontos nas fotos seguintes.

Uma das vantagens é que você pode aproveitar as fotos ruins para coisas inusitadas, como o meu artigo de Primeiro de Abril de 2011.

Este efeito foi um reflexo das lâmpadas no filtro que estava na frente da lente. Aliás, com uma edição apagando os "OVNIs", a foto se torna aproveitável.

Se eu tivesse descartado esta foto defeituosa não poderia ter feito aquele artigo.

Algumas fotos que eu não gosto na hora, outras pessoas gostam, como a primeira foto do artigo.

Tem gente que edita, faz o trabalho, e, uma vez que chega ao resultado final, apaga a matéria prima, os originais, e nisto também junto os intermediários. E se precisar retrabalhar? E tem vezes que uma foto que foi tirada para edição, HDR etc, por si só, pode ser uma foto interessante.

Quando estava olhando o meu acervo para pegar a foto da lancha, me deparei com esta foto. Ela foi uma das 3 fotos do bracketing para fazer um HDR (a -2 EV). Ela, por si só, já é interessante, na minha opinião. Ela foi tirada 92 segundos antes da foto da lancha mostrada no início do artigo. Aliás, aquele barco encerrou a sessão de fotos, pois deixou a água toda perturbada.

Se eu tivesse apagado as fotos que usei para fazer o HDR, não teria este contraluz com reflexo e céu definido.

Tem fotos que com um corte ficam boas, pois parte delas está boa, ou que uma parte pode interessar em outra hora.

Por estes e muitos motivos, eu guardo tudo.

Eu sempre fotografo em RAW+JPEG FINE. Faz parte do guardar o máximo de informação possível, a minha compulsão. Quase sempre só uso o JPEG, mas de vez em quando uso o RAW, especialmente quando faço HDR. Eu já fazia isto desde quando comprei a minha FZ28, e quando aprendi a fazer HDR, fiz vários pseudo HDRs com fotos que tinha tirado anteriormente.

Outro exemplo foi a foto de  um raio, que usei para mostrar a importância do RAW no meu artigo de Introdução ao HDR. Se eu não tivesse fotografado também em RAW, não poderia ter editado depois e recuperado muito mais informação do raio.

O RAW mostrou muito mais detalhes do raio, que estavam perdidos no JPEG, pois tem mais bits para representar a imagem, entre outras vantagens.

Lembre-se: Dado jogado fora é informação que nunca mais será recuperada.

Efeitos colaterais

Tem gente que já está pensando em alguns deles, mas eles são muitos, e talvez bem mais do que estão pensando.

Espaço em disco e backup

Um deles é a quantidade de espaço em disco necessário para armazenar tudo. Consome um espaço muito grande, especialmente por que eu fotografo sempre em RAW+JPEG FINE, como mencionado acima. Eu já passei das 96 mil fotos e estou com cerca de 1.4 TB de espaço em disco ocupado. Recentemente tive que comprar dois HDs de 2 TB para fazer backup, e me arrependi de ter comprado HDs de 1.5 TB antes, ao invés de ter comprado logo os de 2 TB, mesmo sendo um pouco mais caros por GB. (HDs de backup e armazenamento não precisam de um alto desempenho, alta rotação etc, só de alta capacidade, e se consumir pouco, melhor ainda.)

Se eu não tivesse backup, eu teria perdido os arquivos RAW de mais de 60 mil fotos, quando um HD meu de 1.5 TB, que ficava dentro do computador, deu defeito. Eu tinha backup e backup do backup. Detalhes aqui.

Eu só apago as fotos dos cartões depois de copiadas para o computador e feito os dois backups, e muitas vezes só depois da catalogação.

O problema dos nomes dos arquivos

Mas não é só armazenamento e backup. Tem ainda que ter metodologia de cópia, que tem que ser um processo repetitivo e organizado. Cada cartão meu tem um arquivo que o identifica, e ele só pode ser usado em uma câmera. Quando à minha Panasonic FZ28 eu não tenho problemas, por que ela sabe numerar muito bem as fotos, mas quanto à Nikon D90 é outra história, pois ela não sabe numerar tão bem as fotos.

A Panasonic FZ28 não faz duas fotos com nomes iguais, a não ser que eu reinicie os contadores de fotos, coisa que nunca fiz nem pretendo fazer. Os diretórios representam o milhar, dezena de milhar etc, da foto, que também é representado no nome da foto. Então, sem reiniciar os contadores, não tem como ter duas fotos com nomes de arquivos iguais.

A Nikon D90, e acho que a maioria das outras, só apresentam os 4 últimos dígitos no nome do arquivo. E para piorar, com a troca ou reformatação do cartão, ela reinicia os nomes dos diretórios. Um potencial desastre se você grava todos os arquivos em um único diretório, ou mesmo seguindo a nomenclatura do diretório do cartão. O arquivo da foto 15345 sobrescrever o arquivo da foto 5345, e ainda ser sobrescrito pelo da foto 25345. A solução é cada cartão ter um arquivo que o identifique unicamente, e depois de formatado, ele recebe manualmente uma nova identificação, diferente de qualquer outra já usada.

Para ainda garantir a não sobrescrita das fotos, ainda deixo a última foto, em JPEG, para ter um número inicial para a câmera seguir à partir dele, diminuindo as chances de sobrescrita.

A Panasonic usa o shutter counter para nomear o arquivo, e a Nikon (a D90 garantidamente), infelizmente, não. A Panasonic FZ28 ajuda muito neste ponto, sendo muito boa, enquanto a D90 atrapalha. Nem achei uma opção de mudar isto. Adoraria usar o shutter counter para nomear os arquivos da minha D90, pois teria facilitado em muito a minha vida.

Scripts

Para garantir a repetitividade das operações de cópia dos arquivos do cartão para o computador e de backup, criei uma série de scripts, que identificam se o cartão é da D90, da Panasonic ou do celular (também usando um marcador no caso do celular), e qual cartão da D90 que é, e copia para os diretórios corretos, criando se necessário. Cada cartão da D90 tem uma árvore própria de diretórios, e os cartões da Panasonic FZ28 tem uma única árvore de diretórios. O motivo foi explicado acima.

Meses atrás criei dois scripts que sincronizam o notebook com o desktop, enviando as atualizações, ou pegando as atualizações dele. Eles usam o protocolo rsync, cujo servidor instalei no desktop.

Recentemente criei o script de restauração, assim posso fazer o backup no notebook, e restaurar no desktop.

Sim, para fazer isto funcionar usei as minhas habilidades de nerd. Você pode conseguir gerir isto, mas usando outros meios, outros programas, outras ferramentas, pois muita gente faz isto mundo afora.

Catalogação e organização

O que adianta você ter isto tudo se você não acha nada quando precisa?

Você tem que ter uma metodologia de organização muito boa. Eu optei por um programa de catalogação chamado kphotoalbum. Nele eu catalogo todas as minhas fotos usando um sistema de marcadores (tags) e categorias de marcadores. Eu uso as 3 categorias que já tinham pré-definidas: Pessoas, Lugares e Palavras-chave. Por exemplo, a primeira foto do artigo foi encontrada com a busca de Palavras-chave "Nikon D90&Barcos" e Lugares "Rio Perequê-Açu ". Vieram 234 fotos, sendo que quase 200 eram time-lapses que eu tinha feito. Numa rápida olhada nas amostras pequenas eu achei a foto.

Perguntinha maldosa: Se eu não tivesse catalogado, como acharia? Dando umas olhadinhas nas 96276 fotos?

Outro exemplo. Como eu acho a foto abaixo, deste meu artigo e deste artigo da Fotógrafa Déborah Gérbera?

Acho esta uma das fotos mais legais que fiz até hoje.

Fazendo a busca por Palavra-chave "Fotógrafo(a)&Crianças" cheguei a 14 fotos, onde todas as miniaturas couberam na tela. Se eu me lembrar que foi com a D90, e usar isto, diminuo para 7 fotos. Se acrescentar que foi de noite, usando as Palavras-chave "Fotógrafo(a)&Crianças&Nikon D90&Noturna", diminuem para 5 fotos. Se eu usar o Lugares "Quadra do Centro Histórico" restaram 3 fotos. Uma de um outro evento e as duas da fotógrafa Déborah Gérbera com seu filho. Mas se eu fizer uma busca por "Fotógrafo(a)&Crianças&Paraty Latino 2011" eu isolo as duas fotos da fotógrafa Déborah Gérbera e seu filho (Adoro estas duas fotos.). Este é um exemplo de poder de uma catalogação detalhada. Uma foto pode ser encontrada por vários modos diferentes.

Imagina ter perto de 100 mil fotos amontoadas, sem um sistema de catalogação eficiente. Muitos fotógrafos se perdem em seu acervo.

Na oficina da Isabel Amado, no Paraty em Foco de 2011 (mencionada neste artigo, da série de artigos do Paraty em Foco 2011), o assunto foi curadoria de acervo, e de trabalhos que ela faz de organização de acervo dos fotógrafos, além de exposições, negociação de fotografia etc. Ela mostrou fotos de antes (caos, caixas de papel etc) e depois (organizado, arquivado etc) de um trabalho de catalogação e organização de fotos que ela fez.

Etc

Certamente tem outros problemas, que nem me dou conta, e alguns até lido no dia a dia de algum modo. Os comentários estão abertos para discussões.

Finalizando

Eu sou adepto do guardar, mas concordo que tem um custo material, de tempo, de esforço etc, muito grande. Não é coisa para qualquer um, e tem vezes que é necessidade.

Eu posso achar quase qualquer coisa que tenha mo meu acervo facilmente, em menos de 5 minutos, mas isto teve um custo de muitas e muitas horas gastas no processo. Talvez isto seja um investimento a longo prazo.

Mas cada um com o seu gosto, com as suas opiniões, os seus métodos, suas necessidades, suas manias, e suas crenças no que acredita ser necessário etc.

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