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Sou viciado em computação, Internet e Fotografia. Morei por quase 6 anos, e ainda frequento, Paraty. Sou usuário de softwares Open Source, tendo dado algumas contribuições em diversas ocasiões.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Fotômetro é só referência

O fotômetro foi uma das grandes ferramentas que vieram para ajudar o fotógrafo, mas algumas pessoas se deixaram serem escravizadas por ele. Como assim?

O fotômetro mede a luz de uma cena, ou de um ponto de uma cena, conforme o tipo e/ou a configuração, dizendo que exposição faria aquela cena, ou ponto, ficar bem exposta. Mas toda cena precisa ser bem exposta? Qual realmente é o conceito de boa exposição? E qual é a finalidade mesmo da exposição?

Neste artigo Ivan de Almeida defende a superexposição na fotografia em raw, fotografando para editar posteriormente. Quanto mais superexposto, desde que não atinja os limites de exposição da câmera, melhor, pois assim diminui o ruído de digitalização e o ruído do sensor (o sensor de uma câmera digital é analógico). Eu concordo com ele.

Mas tem horas que se quer realmente superexpor, atingir os limites, como abaixo:

Esta foto foi com 1/500 s, e dá para ver o reflexo do brilho da cena no portão. O fundo está estourado, mas aqui é explorado o desfoque parcial no próprio objeto em questão.

O fotômetro certamente diria que esta cena está superexposta, e se eu seguisse ele (aliás, neste caso ele nem estava funcionando, como explicado aqui) esta foto não ficaria tão boa.

Obedecer ou não ao fotômetro, ou quando e em quanto desobedecer, é uma das decisões, além de ser um dos direitos básicos, do fotógrafo. Também pode se tornar parte do estilo do fotógrafo.

Fotômetros também erram, e erram com frequência. Quando a Zélia Duncan entrou com esta roupa no palco, especialmente sabendo que tinha um canhão de luz no fundo da plateia apontado para o palco, eu sabia que o fotômetro iria errar muito.

Repare a diferença entre a roupa branca dela e o fundo preto.

Então tive que medir levando em conta a roupa dela, medir a roupa dela, quanto ela participa da cena para compensar, e usar vários truques ao mesmo tempo. Se deixasse a câmera escolher pela média de luz da cena não iria dar certo.

O sistema de zonas prega que as áreas escuras nas quais deseja ter detalhes devem ser medidas. O fotômetro lhe dará a medida para que elas fiquem claras, então diminua esta exposição em dois pontos. Esta área será menos exposta, ficando escura, mas terão os detalhes dela. Este método foi desenvolvido em negativos preto e branco. O texto da wikipedia também deixa subentendido que, para a revelação do negativo e produção da impressão final, também é necessário que se conheça as áreas claras, para determinar o contraste da cena. Este método diz que a medição não deve ser feita na cena toda, e sim, mas partes de maior interesse.

Como a primeira foto do artigo que apareceu superexposta, pode-se fazer também subexposição intencionalmente. A foto abaixo ficou muito mais interessante com um ponto de subexposição:

Um ponto de subexposição deu o tom mais noturno que eu queria. Tirou o excesso de brilho.

Abaixo mais duas fotos, com a exposição dada pelo fotômetro e com dois pontos a menos:

A exposição ditada pelo fotômetro.

A exposição ditada pelo fotômetro menos 2 pontos.

Acho que a foto ganhou mais vida subexposta, pois realçou melhor os reflexos, não ficando praticamente toda em um tom só.

Abaixo tem um caso que a exposição normal estragou um detalhe importante da cena, mas a subexposição em um ponto resolveu:

Olhe as luminárias. No reflexo estão quase boas, mas no original estão perdidas.

A minha experiência me fez deduzir que um ponto bastaria para melhorar a foto, e resolver o problema da luminária


As luminárias ficaram bem mais definidas, especialmente no reflexo, com menos um ponto em relação ao que o fotômetro me falava.

Mas tem outra dica. O reflexo é polarizado, perdendo pelo menos um ponto, e como a luminária ficou quase bem definida nele, bastaria reduzir um ponto e tentar de novo.

Então brincar com o nível de exposição também faz parte da arte fotográfica.

Tem vezes que o fotômetro tem que ser usado de uma forma bem diferente do usual. O artigo Fotografando MRUA - Planejamento (Este artigo fala muito de Mecânica Clássica e tem várias contas. Pode ser considerado muito complexo por muita gente.) tem um caso destes, que o fotômetro é usado pra escolher a abertura e a sensibilidade, mas o tempo de exposição está fixado por um outro evento, e ainda, ele é usado para medir o fundo, para conferir se é suficientemente escuro para as fotos.

A minha Ultra Zoom parece fazer cores mais bonitas com um ponto de subexposição.

Em algumas fotos  acima eu poderia ter mexido na exposição fazendo a edição depois, como a foto das taças ou da mesa, e até fazendo a superexposição do portão, mas no caso da foto do show e a do reflexo na água não. pois teria informação perdida difícil de ser recuperada. Por isto que a exposição tem que ser sempre bem feita, mesmo que seja para editar depois, e é mentira que pós-produção (o famoso Photoshop) resolve tudo. Se você está perdendo muito tempo para consertar uma foto, é por que algo está muito errado: e/ou você não tem ideia do que está fazendo na edição, e/ou na hora de fotografar.

Lembre-se também: "O modo automático das câmeras não foi criado para fazer fotos boas, e sim, para tentar evitar fotos excessivamente ruins."

Um comentário:

  1. " e/ou você não tem ideia do que está fazendo na edição, e/ou na hora de fotografar."
    Ou ambos. :)

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