Quem sou eu e o que este blog.

Minha foto

Sou viciado em computação, Internet e Fotografia. Morei por quase 6 anos, e ainda frequento, Paraty. Sou usuário de softwares Open Source, tendo dado algumas contribuições em diversas ocasiões.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Fazendo o exercício

No artigo Entendimento da luz e "kit fotógrafo" eu sugeri uma experiência, que era fazer várias medições de uma cena e entender como a luz pode variar em uma cena. Escolhi a cena (Não era a que eu queria inicialmente, pois ela estava com um andaime no momento, então usei outra.) e fiz as fotos.

Uma rua no Centro Histórico de Paraty. Esta rua é pouco movimentada, e dá para fazer algumas brincadeiras. ISO 200, F5.6, 1/2 s.

Fiz a foto da cena, e depois coloquei a câmera em fotômetro spot (E com o menor ponto configurável.), e fiz fotos de diversos pontos da cena, medindo pontualmente.

Estes pontos são mostrados na foto abaixo, numerados segundo o que será mostrado adiante.

A cena com os pontos de medição das fotos apresentadas adiante.

Notas prévias
 
A escala de EV, ou pontos de exposição, é logarítmica de base dois, isto é, a cada vez que sobe um EV dobra a exposição, e a cada vez que desce um EV, divide por dois a exposição. E, por exemplo, 3 EV de diferença para mais implica em multiplicar por 23 vezes, 8 vezes, a exposição.

Na natureza, no dia a dia, muitas coisas, como a intensidade de som e a intensidade de luz, variam em escalas tão grandes, mas tão grandes, que não é prático representar em escalas lineares. Assim se usa escalas logarítmicas para representar estas grandezas. Se notar, os tempos de exposição disponíveis nas câmeras seguem aproximadamente uma escala logarítmica. Notas musicais também são assim, dobrando a frequência a cada oitava. Ansel Adams estudou piano na sua juventude, e acredito que isto tenha ajudado a ele ter uma grade compreensão da exposição e da luz, criando o Sistema de Zonas. Ele é considerado por muitos o pai da fotometria.

Todas as medições e fotos deste artigo foram feitas com o mesmo ISO e abertura, ISO 200 e F5.6, assim só os tempos de exposição irão variar entre as fotos. Isto simplifica a compreensão da ideia.

1 - Lâmpada

Apontei diretamente para a lâmpada. O resultado foi:

ISO 200, F5.6, 1/320 s.

Note a grande diferença o tempo de exposição. A lâmpada deu 1/160 do tempo de exposição para a cena, 6 1/3 EV de diferença, e mesmo assim ela estava estourada.

Lâmpadas são fontes e luz pequenas e absurdamente mais intensas do que as cenas que iluminam. Por isto que é comum elas ficarem estouradas.

Compare o entorno da lâmpada e a lâmpada com o que é mostrado na cena toda. A luminária está bem visível, mas a placa perto da lâmpada sumiu.

2 - Placa

Placa perto da lâmpada mostrada acima:

ISO 200, F5.6, 1/4 s.

A medição foi feita na placa, que está muito bem marcada, mas não mais se distingue a lâmpada dentro da luminária. Este tempo de exposição foi 5 1/3 EV de diferença, 80 vezes mais longa, que a exposição anterior.

Dá para notar parte da cena ainda muito escura, e parte da pequena vitrine estourada.

3 - Parede junto da outra luminária

O ponto de medição foi junto na parede, entre as duas portas, onde a parede toca com a barra horizontal da luminária.

ISO 200, F5.6, 1/4 s.

O tempo de exposição foi igual à placa acima, e também pode-se notar que não se distingue a lâmpada dentro da luminária.

Nota-se que escurece rapidamente conforme se afasta da lâmpada.

4 - Lâmpada

Agora a medição foi perto da lâmpada.

ISO 200, F5.6, 1/25 s.

Quase se distingue a lâmpada e dá para ver um pouco da estrutura do outro lado da luminária, mas a parede escureceu fortemente.

5 - Afastando da luminária

Agora foi feita a medição na parede entre as portas mais afastadas da mesma loja, junto de um furo que tinha em uma parede. O furo foi o de cima.

ISO 200, F5.6, 1.6 s.

O tempo de exposição cresceu bem, passando para 1.6 s.

Dá para notar que existe uma grande diferença de exposição na placa de aluga-se, que também aparece na foto 3.

6 - Reflexo na poça

Um reflexo

ISO 200, F5.6, 2 s.

Este ponto é mais escuro ainda. Ele é um reflexo das fachadas das casas, com algumas luminárias aparecendo, numa poça no meio da rua. Os reflexos não metálicos já implicam em luz polarizada, o que já reduz a quantidade de luz pela metade, em 1 EV.

7 - Quadro na porta da loja

Esta foto é de um quadro que estava na porta de uma loja, bem iluminado pela luz que saía da loja.

ISO 200, F5.6, 2.5 s.

Mesmo assim o tempo de exposição foi de 2 segundos e meio.Com este tempo de exposição as pessoas que passavam pela rua ficaram borradas pelo movimento.

Dá para notar que o chão diante da loja está bem claro, mais claro que o quadro. A luz que chega ao quadro está em ângulo, diminuindo a sua eficiência, e a que atinge o chão está mais frontal, aumentando a eficiência, e assim o chão fica mais claro.

8 - Fundo da rua

Agora a medição foi no fundo da rua, onde ela faz uma curva.

ISO 200, F5.6, 2.5 s.

A mesma medição do quadro.

Mostra que existem outros pontos da cena que tem a mesma medição, a mesma quantidade de luz.

9 - Vitrine da loja

Voltamos à vitrine da loja

ISO 200, F5.6, 1/5 s.

A medição foi feita no produto no meio da vitrine. O de baixo está também bem exposto, mas tudo acima, mais perto da lâmpada da vitrine, está estourado.

10 - Janelas da parede na sombra

Desta vez o ponto de medição foi entre duas janelas em uma área de sombra.

ISO 200, F5.6, 6 s.

O quadro que pediu 2.5 s está superexposto, mas não estourado, mas a vitrine, que foi fotografada com 1/5 s e a placa, que foi fotografada com 1/4 s, são perda total.

De 2.5 s para 6 s é 1 1/3 EV, mas de 1/4 s para 6 s é 4 1/3 EV de diferença.

11 - Porta da loja próxima

A porta da loja está iluminada pela luz que vem de dentro da loja, e assim está relativamente bem iluminada.

ISO 200, F5.6, 1/4 s.
Ela seria algo no meio de muitas das medições dos pontos iluminados da rua.

12 - Parede interna da loja

A loja está muito bem iluminada, o que faz com que a parede fique muito clara.

ISO 200, F5.6, 1/15 s. O retângulo inserido cobre uma pessoa que entro na cena na hora que a foto era feita.

Claro que, como ela é branca, a medição fica com um tempo de exposição menor ainda do necessário para que ela já fique bem exposta. Na foto anterior aparece também esta parede, mas com 1/4 s de tempo de exposição, o que a fez ficar mais branca do que aqui, e não acinzentada como está aqui.

Na foto da rua toda ela era um dos pontos estourados, junto com as luminárias da rua e mais os pontos próximos destas. Naquele caso foi 1/2 s de exposição. Com 1/2 s, + 3 EV, ela fica estourada, e com 1/4 s, + 2 EV, fica bem branca.

Estão temos aqui um outro limiar e uma preocupação com a medição de objetos da cena, que podem falsear a medição. É um dos riscos de usar uma medição pontual. Mas isto não invalida o resultado deste exercício, que é mostrar diferenças de luz de partes de uma cena.

13 - Parede não iluminada

Um sobrado tem uma parede lateral, voltada aos vizinhos, que não está iluminada.

ISO 200, F5.6, 6 s.

De novo temos um tempo de exposição grande, e mesmo assim a parede, que é essencialmente branca, ficou um pouco escura. Associando com o caso anterior, talvez o tempo de exposição para que ficasse bem clara tivesse de ser de 12 a 20 segundos. O efeito colateral seria estourar outros pontos. da cena.

14 - Sobrado ao fundo

Se não me engano, este sobrado é a Estalagem Colonial.

ISO 200, F5.6, 5 s.

Esta exposição foi tão longa que as lâmpadas e suas proximidades ficaram muito estouradas. As lâmpadas ficaram tão estouradas a ponto de gerar reflexo interno na lente (Acho que a minha lente precisa de limpeza interna.).

15 - chão diante uma loja

O chão diante uma loja costuma ser iluminado com a luz que sai da loja. Usar esta luz pode ser interessante para fazer retratos.

ISO 200, F5.6, 2.5 s.

Mesmo assim, o tempo de exposição foi relativamente longo. Esta luz varia de loja para loja, segundo o tipo de iluminação, a quantidade dos pontos de luz, a potência deles, como estão arranjados etc.

16 - O foco direto para a parede

Esqueci de medir este ponto. Só me lembrei dele depois de desmontar o equipamento.

Já tem como arriscar um palpite? Eu diria que no meio dele o tempo de exposição deveria ser menor que 1/30 s. Talvez bem menor do que isto.

Conclusões

Uma cena tem uma medição, mas objetos desta cena, e partes dela, podem diferir em muito a sua intensidade luminosa. A câmera tem um limite representável, que é dado pela sua faixa dinâmica (Este é um dos pontos no qual a Nikon está em grande vantagem sobre a Canon, segundo o DxOMark.). Cabe ao fotógrafo discernir o que fazer, e o que descartar e manter, não só no enquadramento da cena, como na exposição da cena.

Existem técnicas para amenizar este problema, estendendo os limites de captação, como o HDR e o enfuse, que não podem ser aplicados em todos os casos, mas isto e outro assunto.

Lição extra

Existe mais uma lição extra aqui. A foto de toda a rua, que é a primeira mostrada no artigo, é bastante interessante, mas não é a única foto interessante daqui. Alguns detalhes da rua, que foram feitos nas medições de pontos já são fotos interessantes por si só. Observe a 2, a 6 e a 8, por exemplo. A 9, com outro enquadramento, pegando a placa completamente e com a câmera em 90 graus, poderia ficar bem mais interessante.

Então, dentro de uma cena, sendo esta interessante ou não, podem ter vários pontos interessantes diferentes. Aqui vale o olhar do fotógrafo.

Notas finais

A câmera usada foi a uma Nikon D90.

Foram gerados os arquivos raw e JPEG, mas estas fotos aqui mostradas são geradas do JPEG gravado pela câmera.

A câmera estava com a opção Active D-Lighting ligada no auto, o que afeta automaticamente as curvas, mas não afeta as medições, portanto não invalidando o teste.

Eu poderia ter usado a lente 70-300mm para fazer os detalhes, mas resolvi sair só com uma lente, pois carregava muito equipamento. Todo o teste foi feito com a 18-105mm VR, que veio no kit da Nikon D90. Com a 18-55mm este teste fica mais complicado.

Estas fotos foram feitas dia 11/03/2013, por volta das 19:20. Já tinha anoitecido e era dia de lua nova.

Exercício para casa

Mantendo a sensibilidade e a abertura, ISO 200 e F5.6, qual é o tempo de exposição esperado para esta cena em um dia de sol?

Claro que vai variar por volta do valor da resposta, mas existe um meio de ter um chute inicial, por volta do qual vai variar.

Responda nos comentários, e depois dou a resposta.

4 comentários:

  1. Segundo a regra sunny 16, a velocidade esperada seria 1/1600 para iso 200 e f/5.6...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A sua resposta está... corretíssima.

      http://jgoffredo.blogspot.com.br/2013/03/fazendo-o-exercicio-gabarito.html

      Excluir
  2. Ele está certo ou errado?

    Mais alguém arrisca algum palpite?

    ResponderExcluir
  3. Terminou o prazo para darem palpites:

    http://jgoffredo.blogspot.com.br/2013/03/fazendo-o-exercicio-gabarito.html

    ResponderExcluir