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Sou viciado em computação, Internet e Fotografia. Morei por quase 6 anos, e ainda frequento, Paraty. Sou usuário de softwares Open Source, tendo dado algumas contribuições em diversas ocasiões.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Orfandade dos consumidores

Ontem li um pouco sobre os filmes Kodak Ektachrome, Fiquei meio triste em saber que a Kodak parou de fabricar mais um filme que no passado tinha sido um mega sucesso. Eles informam que o processo de fabricação é caro e complexo, e a quantidade de vendas não estava valendo a pena.

Acho que a Kodak, em parte, está abandonando os seus filmes por causa da sua situação financeira. Mas ela está deixando alguns fotógrafos fãs destes filmes órfãos.

Acho que a Kodak não está mais sabendo vender seus produtos. Ela não está com problemas por que entramos na era da fotografia digital. Ela entrou nela também. Aliás, ela foi uma das pioneiras dela, fazendo backs digitais para SLRs. Ela fabricava sensores para diversos fabricantes de câmeras, inclusive a Leica. Acho que ela está com problemas por que não soube lidar com as mudanças, e aproveitar as mudanças, inclusive no mercado de filmes.

Se ela tivesse lançado um scanner de filme por volta de 2005, que fizesse 12 ou 14 bits/cor, custando uns 500 Dólares, que digitalizasse um filme 35mm e/ou 120 com 10 a 20 Mega pixels, o filme ainda estaria sendo muito vendido. Uma das coisas que mais me frustra ao lidar com filmes é a digitalização. É quase impossível achar uma que preste (Se alguém souber de uma, coloque nos comentários, por favor, mas informe a resolução, quantos bits/cor e formatos de arquivo.).

Mas voltando aos consumidores, os grandes lesados. Eles ficaram sem estes filmes. Vários que fazem fotografia artística, que gostavam de lidar com filmes, perderam algumas opções.

Anos atrás a Polaroid mudou de foco. Ela resolveu abandonar os filmes instantâneos, achando que o mercado ia se encerrar. Um grupo de fãs, mais um grupo de investidores, junto com ex-funcionários da Polaroid fizeram o impossível. Pegaram uma das fábricas abandonadas da Polaroid, recuperaram os equipamentos, conseguiram mais equipamentos, e começaram a recriar os filmes instantâneos. Muitos devem ter achado que seria um fracasso, tanto é que o projeto foi batizado como The Impossible Project. Mas atualmente estão produzindo e vendendo. Provaram que o impossível é possível. Aliás, parece que estão fazendo mais sucesso do que a própria Polaroid hoje em dia.

Mas aqui aparece uma coisa interessante. Isto foi um ato de subversão, de não aceitação de cabeça baixa que o fabricante tivesse todo o controle sobre o produto que eles usavam. Quando o fabricante se recusou a fornecer, eles ergueram as mangas e recriaram o produto, e agora estão indo além do que a própria Polaroid foi algum dia. Em breve os módulos de filmes não serão mais descartáveis.

A história do Blender também é interessante, e pode ser vista aqui. Ele é um dos principais programas de 3D do mundo, usado em animações, jogos, maquetes virtuais, arquitetura, simulações, propaganda etc. A empresa que o fazia faliu, e ele se tornaria parte da massa falida. O destino do programa possivelmente seria a morte, ou ser vendido para alguma empresa e mantido como software fechado custando uma fortuna. De qualquer forma os seus usuários ficariam órfãos. O seu autor então fez um acordo com os credores, que se conseguisse levantar 100 mil Euros, os fontes seriam liberados com a licença GNU. Em cerca de um mês e meio a comunidade de usuários conseguiu levantar o dinheiro, e o programa se tornou Open Source.

Boa parte do movimento Open Source também diz respeito a isto, o produtor não tem mais o controle absoluto e ditatorial sobre o produto e seus consumidores. O usuário pode fazer as suas versões, suas alterações, podendo entregar estas melhorias para o autor original para serem incorporadas na nova versão, e se um programa for descontinuado pelo seu autor, se o usuário discordar das decisões do autor, se auto falecer etc, outra pessoa ou grupo pode dar continuidade.

Acho que a Kodak deveria seguir o exemplo. Se ela não se interessa mais em produzir um filme, deveria vender a receita para quem quisesse produzi-lo, se não tivessem interessados em comprar, deveria tornar domínio público. Quem não deve ser lesado, ficar órfão, é o consumidor.

Acho que as leis de patentes deveriam mudar. Se um fabricante se desinteressasse em produzir um produto, deveria ser obrigado a disponibilizar todas as informações necessárias para a produção deste produto. Se um fabricante de carros resolve não mais fabricar peças para um modelo antigo, todos os detalhes de fabricação das peças deste modelo deveriam ser liberadas ao público, para quem quisesse continuar a produção pudesse fazê-lo. Algo similar deveria acontecer com programas, se tornando Open Source. Chega de forçar goela abaixo dos consumidores os novos produtos por tornar os antigos inúteis (A MS fez isto com o Windows Vista, intencionalmente não fornecendo mais o Windows XP.).

Outro exemplo foi uma dentista que conheço. Teve que trocar uma cadeira de dentista muito boa por uma pior, por que simplesmente não se achava mais peça para fazer as manutenções e consertos da antiga.

Está na hora da mudança de foco, e este ser verdadeiramente no consumidor, não deixando-o órfão com muitos fabricantes fazem. O consumidor não deveria ser atendido como forma de se arrecadar dinheiro, e sim, como alguém que tem necessidades a serem atendidas.

2 comentários:

  1. Olá João
    Sou "Tuga", andava a navegar na leitura da crise financeira da Kodak kdo encontrei o seu Blog. Gostei muito do artigo e os exemplos da Polaroid e do Blender k demonstram bem que nem tudo está na cabeça dos CEO k ganham fortunas... no "chão da fábrica" tb há muitas e boas ideias :)
    Uma abraço, DG

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