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Sou viciado em computação, Internet e Fotografia. Morei por quase 6 anos, e ainda frequento, Paraty. Sou usuário de softwares Open Source, tendo dado algumas contribuições em diversas ocasiões.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Flash fotográfico é para os fracos

Depois desta "trolagem" inicial, vamos falar sério. Tem situações, que as vezes até são bem complicadas, que NÃO se pode, e NEM se deve, usar flash. Então, o que você faz? "Fotógrafos de modo automático" possivelmente choram, chamam a mamãe, desistem, usam assim mesmo sem ligar para a boa educação e/ou as consequências etc (Pronto, "trolei" de novo. rs).

Passei por uma destas situações neste sábado (14/04/2012), e se eu usasse flash seria mais um dos tipos que critiquei aqui.

Era a gravação do programa SESC TV sobre Paraty, e de noite teve um curto show do Ciranda Elétrica (Já foram matéria do meu blog aqui.) para filmarem para o programa. Eu só era um amigo deles fotografando de penetra, portanto não tinha nenhum direito de atrapalhar.

Este show foi feito em um lugar escuro, comparável com a procissão do fogaréu, no meio da Praça da Matriz, num lugar mal iluminado, cheio de luzes fortes por volta. Perfeito para enlouquecer um fotômetro. Em um teste usando prioridade de abertura, movendo a câmera na vertical, o tempo de exposição variou de décimos de segundo, quando apontado pro chão, a 1/3200, quando apontei para uma lâmpada distante.

O que eu tinha à mão? Uma D90, que até tem um ruído meio aceitável em ISO 3200, uma lente 50mm F1.8 AF (A usada neste artigo.), e a minha experiência e o meu conhecimento.

Fiz a foto teste abaixo usando a 18-105 VR em 47.6mm e F5.3, usando a prioridade de abertura:


Sei que está muito ruim, borrada

O tempo de exposição foi de 1/2 s. Então já tinha o EV que iria trabalhar. Trazendo para a F1.8 foi fazer contas. Para facilitar, arredondei para F5.6. De F5.6 para F4 divide por 2 o tempo de exposição. De F4 para F2 divide por 4. Portanto, de F5.6 para F2, divide por 8 o tempo de exposição, o que daria 1/16 s. Arrisquei trabalhar com 1/30 s, um EV a menos, pois daria para imobilizar bem mais os movimentos, daria uma boa sensação de que é noite, e eu deveria tremer menos nas fotos. Então coloquei a 50mm F1.8 na câmera.

Agora que tenho uma abertura e uma velocidade para trabalhar, para que fotômetro? Coloquei no manual e fixei em 1/30 s e F1.8. E abaixo a primeira foto depois disto.

Aqui tive uma pequena ajuda da luz da filmagem.

Se estou com configuração fixa, ignorando a medição, as luzes de fundo não são mais um problema grave. A única iluminação que iria variar seria a que vem da filmadora, o que não acontece em um show de palco, onde a luz pode mudar de um segundo para o outro.

Aqui sem a "ajuda" da iluminação da filmagem.

Aqui tive ajuda de novo da luz da filmagem.

 Um dos truques é usar a luz da filmagem, e fiz isto umas poucas vezes.

Note as luzes atrás.

Note bem nas duas últimas fotos, especialmente na última, que as luzes atrás estão estouradas, mas não influenciaram na foto. Estas seriam as luzes que poderiam pirar o fotômetro.

Note a igreja clara lá atrás. Mais um caso de possível erro de medição de luz.

Mãe e filho dançando.

Um outro truque que vale é o panning. As pessoas estavam dançando por volta desta escultura no meio da praça.

Se não imobiliza? Mova junto. Ou seja, faça panning. Fica legal.

Usando a luz da filmagem de novo.

Mais um panning.

Acho que esta luz, que aparece principalmente no chão, é o flash de alguém entrando na minha foto. Ela é completamente anômala à cena.

O flash de alguém pode atrapalhar, tal como o seu pode atrapalhar as outras pessoas. Eu explico muito mais aqui.

Note a Igreja Matriz estourada no fundo.

Note a Igreja Matriz estourada no fundo, e pode-se notar que dentro da igreja tem mais luz do que a cena que estou fotografando, pois está estourado também dentro da igreja. Momentos antes teve um casamento lá dentro, no qual os cinegrafistas estavam usando luz na câmera, e os fotógrafos flash. Claro que o compromisso deles em documentar o casamento era mais sério que o meu em documentar esta apresentação, mas acho que já dá pensar um pouco sobre a quantidade e o uso da luz existente.

Não fiz o foco neles, e sim na escultura do meio da praça, que não aparece na foto.

Em condições de pouca luz é comum o autofoco se perder, e não conseguir fazer o foco, principalmente em alvos em movimento. Um dos truques é não fazer o foco no objeto da foto, e foi isto que fiz na foto acima.

Lembram da escultura no meio da praça? Eu fiz foco nela, apertando o botão de disparo até o meio. Então eu virei para as pessoas que vinham, contornando a escultura, e quando chegaram aproximadamente à mesma distância da qual eu fiz o foco, fiz a foto, apertando o botão de disparo para fazer o resto do percurso. O foco pode não ter ficado perfeito, mas as pessos já teriam borrão de movimento, portanto dava na mesma. Não iriam ficar precisamente definidas mesmo.

O truque é usar um objeto estático, que seja fácil de fazer foco, que esteja aproximadamente equidistante, com a mesma distância entre você o que você for fotografar. Faça foco nele, e depois enquadre o objeto a ser fotografado, e termine de apertar o botão.

Uma variação é desligar o autofoco, uma vez que tenha conseguido o foco no objeto equidistante. Eu fiz isto várias vezes com as pessoas dançando.

As pessoas dançando com a roda da Ciranda parada. Bom momento para fazer um foco e deligar o autofoco.

Teve quase um flare, de tão estourado que estava o fundo. Aqui é mais um caso no qual o fotometro daria erro.
Mais um caso no qual desliguei o autofoco, pois o movimento do Leandro (braço no alto acenando) estava confundindo o autofoco. Fiz um foco, e usei.

Use de forma criativa o que poderia lhe sabotar. Aqui usei uma luz atrás do Levi como luz de contorno.

Nunca esqueça de fotografar a plateia, pois ela faz parte do show, e em alguns casos muito ativamente, como nos shows do Ciranda Elétrica. Não esqueça de fotografar a plateia aplaudindo.

Sei que vão ter críticas quanto ao tempo de exposição alto, os borrões de movimento, os ruído do ISO alto, foco impreciso etc. Mas a questão é que fiz as fotos, tomei o controle da situação, não atrapalhei o trabalho dos outros etc, tudo usando a luz que tinha disponível, explorando algumas situações, e não acho que tenha ficado ruim.

Acho que posso "trollar": Flash é para os fracos.

4 comentários:

  1. Cara, a maioria (pra não dizer todas) as tuas fotos estão um pouco (ou muito) fora de foco. É preciso cuidado com o foco. Eu não acredito que nenhuma foto aí sirva pra muita coisa.

    De nada adianta dizer que o flash é para fracos se todas as tuas fotos estão fora de foco.

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  2. Não é foco. O tempo foi de 1/30 s. Este tempo não imobiliza bem as pessoas dançando. A pouca luz também afetou o autofoco. Tiveram vezes que não fazia foco, então eu recorri a outros alvos de foco. E com F1.8, o foco é já é bem crítico.

    E se eu tivesse usado flash, eu teria estragado a filmagem que estava sendo feita, que era a razão deste show ter sido feito, fora os outros inconvenientes que causaria.

    Leu os outros artigos que aparecem indicados no texto deste artigo.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Pessoal, vocês estão errando ao avaliar o foco das fotos.

    - A profundidade de campo está curta, pois eu estava usando F1.8, o que faz realmente pouca coisa ficar em foco.

    - As pessoas estavam se movendo, o que gera borrões, e também com que elas saiam do plano de foco rapidamente. Avaliem o foco pelos objetos estáticos.

    - O ruído do ISO 3200 implica em perda de definição.

    - Vocês estão vendo as fotos depois de duas reduções de tamanho, o que implica em dois filtros de média, que causam perda de definição. Pressionem F11 e cliquem na foto, o que permitirá que vejam a foto somente com uma redução de tamanho.

    - As fotos já estavam muito sub-expostas. A Nikon D90 fez modificações nas curvas quando processou as fotos. Eu estava com o Active D-Lighting ligado.

    -As condições de luz realmente estavam ruins. Estava comparável a uma procissão do fogaréu, que só é iluminada com tochas, exceto que estava bem mais uniformes.

    - A primeira foto do artigo, a de 1/2 s de exposição, já foi com -2 EV. Então, segundo a câmera, eu estaria com -3 EV, e o tempo correto seria 1/3.2 s. Então, quem sabe fotometria, faça as contas: Quão pouca luz haveria para a exposição correta, com ISO 3200 e F1.8, ser de 1/3.2 s.

    - Sugiro conhecerem o local onde foram feitas as fotos, e entenderão a situação.

    - Por favor, só critiquem depois de ler isto, e de conhecer as condições em que eu estava. Eu acredito que muitos que estejam me criticando, dizendo que fariam melhor, não conseguissem realmente fazer melhor, ou até mesmo igual.

    Eu sei que as fotos estão abaixo do que se publicam por aí, mas a produção do programa do SESC TV escolheu fazer o show no meio da praça, mesmo eu tendo sugerido fazer na quadra, que é MUITO mais iluminada. Então era a situação que eu tinha.

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