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Sou viciado em computação, Internet e Fotografia. Morei por quase 6 anos, e ainda frequento, Paraty. Sou usuário de softwares Open Source, tendo dado algumas contribuições em diversas ocasiões.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Como montar um computador.

Muita gente compra computadores prontos, outros os montam. Eu gosto de montar, como foi a maioria dos meus computadores.

Tem alguns fatores para se pensar na hora em que se monta o computador, antes mesmo de escolher quais peças comprar. O principal é evitar entrar em becos sem saída, gerando lixo eletrônico e desperdício de dinheiro. Em segundo, tem o conceito de suficiente, que ajuda a não desperdiçar dinheiro com exageros. É um equilíbrio entre estes dois fatores que vai ditar a duração da usabilidade do equipamento, por quanto tempo ele vai lhe atender.

Conceito de suficiente

Para que vai ser usado o computador? Vai ser usado só para textos, e-mail e navegação na Internet? Ou para usos mais exigentes? Isto deve ser estabelecido antes de qualquer coisa.

Vou considerar neste artigo a escolha de um computador potente, mas sem exageros. Casos muito exagerados são para quem realmente precisa espremer ao máximo o desempenho, em jogos e/ou processamento, ou quem quer ter sempre o topo, o melhor computador, o que pode fazer o preço subir astronomicamente.

Longevidade

Algumas coisas afetam a longevidade de uso do computador. Uma é a não mudança das necessidades. Se as necessidades de uso continuarem as mesmas, dificilmente haverá necessidades de mudança no equipamento. As necessidades também podem mudar de uma hora para outra, o que pode tornar um computador que era plenamente útil em completamente inútil para um usuário.

O aumento da necessidade de recursos pode ser aos poucos, até chegar a um ponto limite. Este é o caso típico de unidades de armazenamento, que podem lotar. Mas a necessidade de memória e processador podem crescer também com versões novas de programas e sistemas operacionais, com páginas de Internet cada vez mais pesadas e animadas, etc. Esta outra forma pode ser em alguns passos largos, alguns pequenos, e também de forma lenta.

Talvez o fator "mais fatal" da longevidade de um computador é a longevidade das peças. Elas um dia pifam, passam a dar mau contato, e chega a um ponto que os custos em tempo, aborrecimento, financeiro, obtenção de peças etc, se tornam tão altos que não vale mais a pena manter este computador.

Não é exagerado planejar um computador para ser usado por 4 ou 5 anos, com um ou mais upgrades pelo caminho. Para isto não se deve entrar em becos sem saída.

Relação Custo/Benefício

Este é um outro fator importante, e tem vezes (nem sempre) que não é difícil de medir.

Baratear muito um computador pode fazer gastar muito mais dinheiro a longo prazo do que se gastasse poucas centenas de Reais a mais na hora da compra. Pode ser que você pague mais por GB (Giga Byte) de HD, e/ou MB (Mega Byte) de memória, se comprar tamanhos menores, do que pagaria se tivesse comprado maiores.

Economizar muito na hora da compra inicial pode lhe forçar a fazer upgrade precocemente, pois com pouco aumento de necessidade já podem esgotar o equipamento. Também pode lhe colocar em becos sem saída, por comprar placas mãe com capacidade de upgrade muito limitadas, fontes limitadas, gabinetes pequenos etc (ver abaixo).

Capacidade de atualização

Isto pode afetar a longevidade do computador. Também afeta a manutenção em casos de problemas, pois muitas peças que podem entrar como atualização também podem ser peças usadas na manutenção, como HDs, memórias etc. Evite becos sem saída.

Um dos becos sem saída mais importantes da história da informática aconteceu no início da era do Pentium 4 e final da era Pentium 3. A Intel cometeu o erro de tentar impor a memória RAMBUS. Quem comprou computador com memória RAMBUS teve sérios problemas de upgrade, além de preços exorbitantes da memória. O fiasco da RAMBUS foi tão grande que não se acha nem em sucata para vender.

Pegue coisas de tecnologia nova, mas não precisa ser o último lançamento, e fuja de coisas controversas como foi a memória RAMBUS em sua época.

Escolhendo os componentes

Existem fatores para escolhermos componentes, inclusive preferências pessoais, fidelidade à marca etc. Por isto também não me aterei a detalhes.

Gabinete

Pegue um bom gabinete, bem ventilado, espaçoso, que caiba no espaço que você tem. Ventilador fontal, que ventila os HDs, pode ser bom para evitar o super-aquecimento deles. É bom o gabinete caber vários HDs, pois lhe permitirá upgrade de HDs.

Ventiladores de 12 cm são mais silenciosos que os de 8 cm, então prefira-os.

Fonte

Escolha uma fonte com sobra de potência, com mais potência do que você precisa atualmente, mas não precisa ser aquelas de 800 W. Estas são para casos especiais.

Elas não consomem constantemente a potência que aparece na etiqueta, e sim, elas são capazes de fornecer, em teoria, até a potência que aparece ali.

Sobra de potência lhe permite fazer upgrades, colocar mais HDs, memória, periféricos, placas etc, sem preocupações, e ainda tem um bônus. A fonte consegue compensar variações da energia elétrica sem reiniciar o computador. Em alguns casos aguenta até piscadas rápidas.

CD-ROM

Na realidade o CD-ROM já era. E estamos perto do fim da era do gravador de DVD no computador. Aqui vai um exemplo que podemos analisar, e que pode ajudar a ilustrar longevidade.

Uma unidade de CD-ROM, DVD etc, pode migrar de um computador para outro, mas pode ser que em 2 ou 3 anos o substituto do gravador de DVD esteja tão acessível e barato que a troca dele acabe sendo um dos upgrades. Ou seja, o gravador de DVD vira lixo eletrônico. Mas a 2 anos atrás não existia a menor dúvida que tinha que ser um gravador de DVD.

Outro fator. A 2 anos atrás, sem o horizonte próximo de substituto para o DVD de computador, e com as placas mãe suportando SATA e PATA (ATA paralelo, IDE de cabo paralelo), valia a pena usar um DVD PATA, e deixar as SATA para HDs. O PATA tem desempenho suficiente para os DVDs, e com sobra, enquanto os HDs podem se beneficiar mais com o SATA. Assim deixava as interfaces SATA livres só para HDs.

Talvez agora seja indiferente ter DVDs PATA e SATA (exceto por diferença de preços), pois duvido que o substituto do DVD vá ter versão para interface PATA. Se montar um computador agora, terá interfaces SATA sobrando, e num upgrade do DVD terá mesmo que usar uma SATA, então é indiferente.

Mais uma observação, o substituto do DVD, que seria colocado lá para 2013 ou 2014, pode ser que migre para o computador seguinte, por volta de 2015 ou 2016, junto com fonte e gabinete. (Este artigo foi escrito em Junho de 2011.)

Processador

Existem muitos parâmetros para a escolha do processador, inclusive gosto pessoal, preços, desempenho etc. Este é o fator que mais pode obsoletar um computador. Se houver uma mudança brusca de necessidades, normalmente ela afeta a necessidade de capacidade de processamento.

Trocar um processador costuma ser uma tarefa um pouco delicada, e o processador antigo vira lixo eletrônico. No máximo um processador reserva para o caso do seu novo dar pane.

Para piorar, um upgrade de processador pode implicar em upgrade de placa mãe. A AMD faz uma certa compatibilidade entre versões novas de processador e placas mãe com uma certa antiguidade. Em geral é atualizar a BIOS, e respeitar o tipo de soquete. A Intel já lançou processadores em conjunto com chipsets, e o novo processador só funcionava com placas mãe com este chipset novo, ou chipsets lançados depois daquele. Neste caso era obrigatório um upgrade conjunto de processador e placa mãe.

O processador e a placa mãe são o sistema nervoso do computador, a parte mais importante quando se trata de longevidade. Pense neles para durar 4 ou 5 anos. Mesmo que compre um processador pouco poderoso, compre uma placa mãe que suporte um mais poderoso da mesma linha, pois neste caso pode haver um upgrade só de processador, evitando uma possível troca de ambos meses, ou 1 a 2 anos depois. De qualquer forma, o melhor é sempre trocar os dois junto.

Aqui vale o custo benefício. Até um ponto o custo/benefício cai com o aumento preço do processador, do clock, de uma linha de processador melhor etc, mas de um ponto em diante começa a subir. Eu sugiro, para pensar na longevidade, em ter um bom desempenho sem pagar muito caro, escolher o modelo de processador, dentro da linha de processadores escolhida, o que tem o custo/benefício pouco depois do mais baixo, assim que esta curva começa a subir. Por exemplo, em uma linha de processadores tem um modelo de 2.2 GHz por 350 Reais, um de 2.4 GHz por 400 Reais, um de 2.5 GHz por 500 Reais, um de 2.6 GHz por 700 Reais e um de 2.8 GHz por 1000 Reais, compre o de 2.4 GHz ou o de 2.5 GHz.

Placa mãe

Se o processador é o cérebro, a placa mãe é a coluna vertebral. Ela supre as necessidades do processador de comunicação e controle sobre os periféricos, entre muitas outras funções. Deve ser escolhida com cuidado. Tem que ser escolhida para durar tanto quanto o processador, pois normalmente é trocada junto com o processador.

Tem que ter várias interfaces SATA, mais do que vai usar de imediato. Assim pode acrescentar mais HDs no futuro. No Windows pode não ser muito transparente o acréscimo de HDs, mas num Unix-Like (Linux, FreeBSD etc) pode ser bastante transparente.

Ter 4 slots de memória para poder colocar muita memória. Mas não precisa lotar no início. Evite tecnologias muito antigas ou muito novas que não estejam consolidadas (Ver caso da RAMBUS citado antes.).

Ter vários slots para outras placas, inclusive que atendam a uma eventual controladora de vídeo (caso a placa mãe tenha uma on-board que vá ser usada).

Verificar a presença de todos as interfaces que possam vir a serem necessárias, e interfaces de uso geral, como USB, barramentos PCI (e variações) etc. Quanto mais interfaces do tipo tiverem, mais flexibilidade pode ter no futuro.

Considero a troca de placa-mãe e processador mais do que um simples upgrade. É praticamente um novo computador. E é isto, e por causa disto, que a compra que ser planejada para durar de 4 a 5 anos. Em geral esta troca implica em vários impactos, como a troca das memórias por um modelo mais novo, abandono e/ou substituição de alguns periféricos antigos, pois as placas no momento da troca podem não mais suportar barramentos e interfaces antigas etc.

Abaixo estão algumas interfaces fadadas à extinção, que futuras placas mãe não suportarão mais (muitas atualmente já não suportam mais). Se tem alguma coisa que depende destas interfaces, pode ter, em um futuro não muito distante, problemas com uma troca de placa mãe.

  • PATA, substituída pela SATA.
  • Serial RS-232, em parte substituída pela USB, e adaptadores USB-RS-232. Dispositivos que antigamente usavam esta porta usam atualmente USB. Praticamente já extinta das placas mãe.
  • Paralela de impressora, em parte substituída pela USB, e adaptadores USB-paralela. Dispositivos que antigamente usavam esta porta usam atualmente USB.
  • PCI, substituído pelo PCIe

Mas no futuro, as coisas que estão substituindo as listadas acima, serão substituídas também.

Memória

Este é um dos itens de informática que dá mais variações de preço. Na minha vida já vi dar subidas de preço mais de meia dúzia de vezes, tendo casos nos quais os preços alopraram. Quando um modelo de memória fica muito antigo, o preço sobe, então é bom manter o mercado de olho. Se surgir uma nova tecnologia, e o preço cair, ou calhar do preço cair muito, pode ser uma boa oportunidade de comprar mais pentes de memória, precisando ou não, até não caber mais memória no seu computador

Use uma placa mãe com capacidade de 4 slots de memória, pelo menos, e pode ocupar metade deles com o maior pente de memória que tiver no mercado. Se comprar menores que o maior tamanho possível, um dia pode precisar de tirar os que já tem para colocar mais memória, para atingir o máximo possível.

Entre comprar memórias menores, usando todos os slots de memória, mesmo que isto economize um pouco de dinheiro, ou comprar memórias maiores deixando slots vagos, prefira deixar slots vagos.

HD

Aqui é custo benefício. O HD principal é bom ser de bom desempenho, mas os outros dependem do caso. Se vai armazenar fotos, backup etc, pode usar discos de baixo desempenho.

Discos de maior capacidade, até um certo ponto, tem um preço mais baixo por GB do que discos de menor capacidade. Depois de um certo tamanho de disco, o preço por GB começa a subir. Sempre foi assim, e o que sempre variou foi este ponto, este tamanho, no qual acontece esta mudança. Então não vale gastar um pouco mais para pegar um disco maior? Em geral sim. Pegue o que estiver com o melhor preço por GB, e se a diferença para o seguinte for pouca, pode pensar em pegar este seguinte. Mas se tem certeza absoluta que vai demorar muito para encher um disco menor, e deixar para comprar um disco bem maior no futuro, de capacidade muito maior e bem mais barato, pode valer o risco, como também tem chance de quebrar a cara e ter que comprar um novo logo e tomar prejuízo.

Os HDs são um tipo de periférico que cai bem de preço e aumenta bem de capacidade conforme o tempo passa.

O melhor é organizar o sistema de modo que possam ser acrescentados HDs novos, e não somente trocados. Assim não fica com HD antigo encostado. Pode espalhar as coisas organizadamente por vários HDs, pode usar o antigo para backup ou transporte de dados etc.

O acréscimo de um HD, ou até mesmo a troca, pode vir a ser necessário sem uma data muito determinada. O evento que tipicamente determina isto é o uso, quanto espaço foi usado. Nesta hora tem que avaliar as opções disponíveis e o melhor custo por GB.

Controladora de vídeo

Este é um caso de finalidade. Se a máquina é para jogo, tem que ter uma boa controladora de vídeo. Se for para jogos pesados em alta resolução, tem que ser uma muito boa, como muita memória etc, que é cara. Se é para só bater textos e acessar à Internet, pode ser on-board com memória compartilhada.

Mas como necessidades podem mudar de uma hora para outra, a placa mãe, mesmo tendo uma controladora de vídeo on-board, é bom ter lugar para colocar uma boa controladora de vídeo. Uma amiga estava feliz com o computador dela até que começou a jogar WoW e assim precisou colocar uma boa controladora de vídeo. Nesta hora descobriu que o computador dela não aceitava uma controladora de vídeo, uma placa de vídeo. Este foi um caso no qual as necessidades mudaram de uma hora para outra.

Se vai usar só 2D, sem jogos, e quer um bom desempenho, é conselhável ter uma boa controladora de vídeo que não seja on-board, ou, se for on-board, que ela tenha a sua própria memória de vídeo. Se a controladora de vídeo compartilha memória com o processador, acontece uma disputa de acesso entre os dois.

Voltando às necessidades vezes tempo, uma controladora pode até passar de um computador para outro. Quando fizer a troca de processador e placa mãe pode aproveitar a controladora de vídeo, desde que esta possa ser conectada na placa nova. Para isto é bom não comprar nenhuma com alguma forma de barramento não consolidada, ou que seja muito antiga.

Se você é um viciado em jogos e sempre está jogando os jogos de última geração, os mais novos, pode ter necessidades de troca de controladora de vídeo com uma certa frequência, talvez em intervalos menores do que 2 anos. Mas a sua controladora, que foi obsoletada por aquele jogo fantástico recém lançado, pode ser maravilhosa para alguém que adore um jogo antigo, edite fotos, edite vídeo etc. Pode ainda recuperar um trocado vendendo-a, e deixando alguém feliz por alguns 4 a 5 anos.

Conclusão

Planeje bem o computador, e planeje os possíveis upgrades dele. Não pense no melhor computador do momento, que as coisas andam tão rápidas que no momento seguinte ele não será mais o melhor computador. Planeje um bom para o prazo de 4 a 5 anos, e que algumas coisas dele possam durar mais do que isto. Deixe espaço para upgrades, com poucas trocas de peças pelo caminho.

Depois de 4 a 5 anos reavalie. Pode ser que possa ainda usar por algum tempo, pode ser que só precise de um upgrade. Pode ser que realmente tenha que fazer uma troca, ou um upgrade de processador e placa mãe, enfrentando todas as consequências disto. Mas neste momento será possível montar um computador com um desempenho de 4 a 8 vezes maior do que o computador antigo por um preço aproximadamente igual, ou até menor.

3 comentários:

  1. Gostei bastante do seu texto, ele sugeri um equilíbrio nas escolhas que não se vê muito na web! Abraço

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  2. Muitos dos textos que se encontra por aí é para ensinar a montar computadores "top", muito caros, que deixam de ser "top" muito rapidamente, e de certa forma incentivando uma corrida consumista. Eu quis focar em algo muito mais coerente e menos paranoico, a usabilidade e satisfação por um bom tempo.

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  3. Atualização.

    Eu montei um computador seguindo estas ideias em Janeiro de 2009.

    No caminho teve um upgrade de memória (Veja nota abaixo.) e de HDs, e só primeiro semestre de 2016, depois de mais de 7 anos de uso, que fiz upgrade de processador e placa mãe do meu computador. O processador estava me limitando um pouco, mas a memória era o principal problema, pois os programas e os dados com que eu trabalhava aumentaram muito, consumindo muita memória.

    Um dos upgrades de HD foi um SSD para sistema e swap, já que o HD comprado em 2009, que estava sendo usado para sistema, deu defeito. Outros HDs tiveram de ser comprados pelo caminho para acompanhar o aumento da quantidade de fotos. Então uma placa mãe com 6 portas SATA ajudou muito nesta hora.

    O upgrade de memória foi por um percalço. Eu tinha comprado 4 pentes de 2 GB, mas um deu defeito, então usei 4 GB por um bom tempo, deixando uma memória de 2 GB guardada. Depois comprei a que faltava e completei a memória para 8 GB.

    Atualmente a placa mãe, memória e processador estão emprestados para serem usados por mais alguns anos por uma pessoa com bem menos necessidades computacionais do que eu, e que estava com um computador tão antigo que não mais a atendia, e que estava apresentando defeitos. Depois de 7 anos de bons serviços para mim, talvez ainda faça mais uns 3 ou mais anos de bons serviços para outra pessoa.

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