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Sou viciado em computação, Internet e Fotografia. Morei por quase 6 anos, e ainda frequento, Paraty. Sou usuário de softwares Open Source, tendo dado algumas contribuições em diversas ocasiões.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Fazendo uma mesa de Still, Parte 1

Me deu na telha fazer uma Mesa de Still, daquelas usadas para fotografar produtos. Isto começou quando lia um livro sobre iluminação. Deu vontade de experimentar. Problema: não tinha equipamento. E agora?

Me lembrei de uma vez em que eu e mais dois fotógrafos estávamos vendo catálogos, onde apareciam mesas de Still. Eles falaram que era cara. Eu falei que não parecia ser difícil de fazer. Então agora resolvi dar uma nova olhada na ideia.

Aqui tem uma loja de material de construção do tipo supermercado. Eu passeio muito pela loja, vendo as coisas. Já comprei algumas coisas já, como lâmpadas, anti-mofo, as caixas onde guardo equipamentos, multímetro, e mais bando de coisas que não lembro. A empresa onde trabalho compra muita coisa lá.

Fui para a sessão de encanamento, e comecei a fuçar, ver o que tinha, e o que eu poderia fazer com o que tinha, que problemas teria, como resolver  etc.

Primeira lição: as coisas nunca são fáceis como se pensa. Segunda lição: as coisas nunca são baratas como se pensa. Sorte que já aprendi a muito tempo a não ser afoito, pensar em tudo que é problema que pode acontecer, mas mesmo assim ter certeza que não pensei em tudo. Clássica Lei de Murphy, a lei máxima que rege o universo.

Atualmente tem uns encanamentos para água que são bem leves, feitos com uma parede mais fina, para tudo funcionar por encaixe, mas os canos não me convenceram. Vi que ainda fazem o bom e velho cano rosqueável. Você corta, faz a rosca, e atarraxa. Ele tem paredes grossas, e atarraxado fica firme. São resistentes. Bom. Os encaixes poderiam desencaixar desmontando na pior hora possível (Clássica Lei de Murphy).

Os encanamentos finos não me convenceram como estrutura básica, mas são muito tentadores como material para fazer acessórios. Barras transversais para pendurar rebatedores de papel, superfícies opacas etc. São leves e baratos.

Com 2 "T" por vértice, eu faço um quadrado, mas um alarme tocou dentro de mim. Acho que tenho um detector de paradoxos (rs), alguma forma de co-processador. Como se atarraxa 8 peças em "T" atarraxando os canos? Que eu saiba, não se atarraxa, e é por isto que inventaram a união. Eu posso usar uma por quadrado, ou duas, em faces opostas, o que me facilita o desmonte para transporte. Eu desatarraxo as uniões, separando os lados, e giro as peças perpendiculares para ficarem paralelas, ocupando muito menos espaço.

Fiquei entre algumas dúvidas, como:
  • Usar cano de 1/2 ou 3/4 de polegada? Escolhi 3/4 de polegada, que me parece mais resistente e com menos chances de envergar.
  • Usar "T" metálico ou de plástico? O metálico é resistente e pesado, que pode ajudar na estabilidade, e o de plástico é leve e mais barato.

Uma das especificações é que tem que ser desmontável e de fácil transporte. Tinha pensado em usar canos metálicos, mas acho que é exagero, pois são caros, pesados, talvez mais resistente do que eu precisava e não eram tão fáceis de trabalhar (cortar e fazer a rosca).

Como prancha da mesa mesa, o que eu iria usar? Me lembrei de placas de isopor. Elas são baratas e leves. Fui ver o tamanho delas. Elas tem 50x100 cm, e acho que uma de 5 cm de espessura aguentaria bem. Então a mesa tem que ser capaz de caber esta placa. Lá se vai o plano de 100x100 cm. Mas se usar 80x100 cm dá. Assim posso usar duas placas.

Obrigatoriamente as uniões teriam que ficar nas faces mais curtas por dois motivos. Um é que as placas de isopor seriam apoiadas nas faces mais longas, lado a lado. A face mais curta é só o afastador entre os apoios das placas então, pelo menos no nível da mesa, a união tem que ficar na face curta. Dois é que, quando giradas, as peças da união de faces opostas ficariam voltadas uma para a outra, mas não se tocariam. Problema resolvido.

Já tenho boa parte do projeto na cabeça. Uma mesa grande, que fica pequena quando é desmontada.

Outra dúvida é bem de engenheiro. Quais sãos os graus de liberdade, o grau de amortecimento e frequências de ressonância do sistema. Será que a mesa não tenderá a se deformar? Acho que não me lembro o suficiente da faculdade de engenharia para fazer estas contas. Aliás, isto seria para engenheiro Civil, Mecânico ou Naval, e eu estudei Eletrônica. Vou ter que arriscar.

Estrutura básica: três retângulos com medidas internas de 80x100 cm. Um é a base, um é a mesa e um é o teto, de uso opcional. Os dois primeiros são tem 2 T por vértice, e o terceiro tem 1 T e um joelho por vértice. Seriam como dois paralelepípedos empilhados. Aqui está o esboço do conjunto.


Para juntar os T e o T com o joelho e o T com a união, seriam necessárias peças que tem rosca dos dois lados chamadas Nípel. Ainda pretendo colocar uma Nípel em baixo de cada vértice, como recurso para compensação de irregularidades do chão. Total estimado de Nípeis: 10 para a base, mais 6 para cada um dos outros dois retângulos. Total de 22.

Abaixo está o esquema da quina do retângulo de base:


O pé de borracha deve ser um destes de cadeira, que já vi à venda.

Lista aproximada de material:

Joelhos: 4
T: 2*4*2+4=20
Uniões: 2*3=6
Nípeis: 22

Alguém lembra da segunda lição? E ainda faltam os canos. Chutando por alto, uma vara de 6 m já se vai só com as verticais. E nos quadrados temos, aproximadamente 3.60 de perímetro, o que já dá mais 10.8 metros. Total de quase 3 barras.

Ainda tem um problema não resolvido. Como encaixar os canos verticais, que separam a base da mesa e a mesa do teto? De novo o paradoxo do atarraxar o quadrado. Pensei em encaixar, e usar a velha gravidade resolver o resto. Mas não achei um mecanismo de encaixe. Assim se monta e desmonta a mesa com muita facilidade. Usar um bando de uniões para fazer trabalho é contraproducente. Demoraria muito mais para montar, desmontar, e fazer o conjunto todo. Talvez ainda tenha que comprar 16 peças, que nem sei quais são, para resolver o problema.

Fiz um levantamento de preços por alto, em uma só loja:

PeçaPreço R$QuantidadeTotais R$
T2.202044.00
Nípel220.9019.80
Joelho2.0048.00
Uniões64.2025.20
Canos de 6 m30.40391.20
Total R$188.20

Estou achando caro. E ainda não tem a serrinha para cortar os canos, a tarraxa para fazer as roscas, as 16 peças para fazer o encaixe dos canos verticais (Talvez uma luva de redução com mais um Nípel), as placas de isopor etc. Pelo menos mais uns 80 Reais.

Conclusão temporária

Não sei se vou chegar a fazer a mesa, mas está interessante projetá-la. Aprendi algumas coisas sobre encanamentos que eu não sabia.

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