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Sou viciado em computação, Internet e Fotografia. Morei por quase 6 anos, e ainda frequento, Paraty. Sou usuário de softwares Open Source, tendo dado algumas contribuições em diversas ocasiões.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Um pouco de foto de produtos e iluminação

No início do mês, em um final de semana no qual eu estava em Paraty (e chovia), fiz algumas fotos de produto, e usei em um momento luz contínua e em outro flash rebatido em todas as paredes. Então resolvi fazer alguns comentários, e contar algumas coisas que aprendi.

Comecei testando uma lente Micro-NIKKOR 55mm F2.8 Ai-S, e fiz fotos de um carrinho. Depois fotografei a lente.

Como foram feitas as fotos do carrinho. Foi sim em um estúdio improvisado.

As fotos do carrinho foram em luz contínua, usando a luz do teto do escritório, mas as fotos da lente foram com flash rebatido, espalhado.

O escritório tem teto e duas paredes brancas, piso e uma das paredes azul claro, e uma parede toda vazada para a sala. Ele é cerca de 3x3 m, com o teto a menos de 3 metros de altura. No teto do escritório tem uma lâmpada de 25 W (se não me engano) fluorescente compacta.

A mesa de still foi feita com duas caixas plásticas grandes de armazenagem empilhadas, uma prancha de isopor de 2.5 cm, e um plástico bem branco preso na parede com fita crepe. A curva do plástico formava um fundo infinito. O plástico era bem brilhante. Ele está amarrotado, portanto deveria ter sido trocado antes de fazer as fotos, mas não fiz a troca. Não tinha outro para colocar no lugar.

Notei que o plástico estava amarrotado demais quando preparava para fazer as fotos, nas fotos de teste inicial, e tive que deslocar a câmera e o objeto para não pegar uma parte amarrotada do plástico. Isto aumenta o respeito aos fotógrafos que faziam isto com filme, pois não tinham muitos meios de experimentar o resultado. E é por isto que alguns usavam câmeras de médio formato, que podiam trocar o back e colocar um back com filme Polaroid.

O amarrotado ficou bem evidente no canto superior esquerdo desta foto.

O plástico, por ser brilhante, também gerou alguns reflexos do que estava sendo fotografado. Talvez tivesse funcionado melhor com papel fosco, não brilhante.

A câmera ficou em um tripé, pois o foco era MUITO crítico, e eu não queria perdê-lo por pequenos deslocamentos, e à mão não teria a repetitividade e a estabilidade que eu precisava.

Usei um atraso de 2 segundos para a foto, assim a câmera se estabilizava do apertar do botão, e, depois de um ponto, passei a usar também o atraso entre o levantamento do espelho e a foto. Sim, são truques usados também em fotografia de longa exposição.

Quem leu o artigo sobre a lente Micro-NIKKOR 55mm F2.8 Ai-S, pode ter notado, especialmente na animação ao final, mostrada de novo abaixo, que o nível de iluminação parece ter variado.

Aqui pode-se ver bem a mudança da profundidade de campo das fotos em diferentes aberturas, mas também as variações na exposição.

Eu poderia ter tentado compensar na edição, mas não o fiz. Pode ter acontecido por problemas no diafragma da lente, mas o mais plausível é na variação no nível de iluminação devido a uma variação na tensão da rede elétrica. Todos os moradores de Paraty, e muitos turistas, sabem que a rede elétrica da cidade é sujeita a grandes variações, especialmente quando a cidade está ceia, como era o caso. Eu pude comprovar estas variações horas depois no banho. Como o chuveiro é elétrico, as variações de tensão causam variações na temperatura da água.

Luz contínua, mesmo que prática de ser usada, pode ter problemas de repetitividade se a tensão da rede elétrica não for estável. Até ligar um forno de microondas ou geladeira pode afetar a iluminação. Então, luz contínua deve, para ter repetitividade, ser regulada de alguma forma.

Não adianta muito usar estabilizadores comuns, destes baratos, pois são ruins. Eles tem variações de 5% e sua saída, o que pode afetar o resultado final. Acho que uma regulagem boa seria melhor do que 1%, o que não se acha facilmente por aí.

Acredito, pois não experimentei, que painéis de LED podem funcionar melhor, se tiverem fontes de alimentação boas, não importando que sejam lineares reguladas (Sim, pode existir linear não regulada.) ou chaveadas (que são mais eficientes energeticamente falando e tem que ser regulada).

Outros cuidados a serem tomados com iluminação é que algumas fontes de luz cintilam, piscam, na frequência da rede elétrica (no Brasil é de 60 Hz), e outras no dobro dela (120 Hz, uma piscada por semiciclo da rede elétrica). Isto complica tempos curtos de exposição. A menor exposição, neste caso, tem que ser mais longa, e se possível um múltiplo inteiro do tempo de cintilação.

Lâmpadas incandescentes ainda tem um efeito colateral. Elas não tem muito problema de cintilação, pois o filamento não se esfria o suficiente para criar uma cintilação perceptível entre os semiciclos da rede elétrica, mas a temperatura do filamento pode variar com variações da tensão da rede elétrica, o que afeta a intensidade da luz e a cor da luz. Se a tensão da rede elétrica baixar, temperatura do filamento baixa, a luz se torna mais avermelhada e menos intensa. Isto afeta, além da exposição, o equilíbrio de branco também.

Flash

Depois de um ponto resolvi usar um flash para fotografar as lentes. A montagem foi a abaixo:

Flash na câmera com o omnibounce. Esta foto mostra quanto amarrotado está o plástico da "mesa de still".

Eu queria fotos sem sombras fortes, e queria usar todo o ambiente do escritório (descrito acima) como rebatedor, por isto o omnibounce no flash.

A lente 18-105mm F3.5-5.6 AF-S VR, mesmo não sendo uma lente de macro, permite uma boa aproximação.

O flash é um SB700, e o usei a toda potência. Regulei o nível de exposição na abertura da lente. O tempo de exposição foi de 1/200 s, para que a luz ambiente não tivesse peso significante na iluminação.

No primeiro teste usei a abertura de F8, mas como achei que ficou super-exposto, fechei a abertura para F11. Eu estava bem longe do tempo de exposição na qual a luz ambiente seria importante. A exposição com a luz ambiente seria de alguns segundos.

Usei o atraso de 2 segundos para ter tempo para fechar os olhos. Em questão de nitidez por vibrações deveria ter pouca influência, pois, segundo algumas informações que tive sobre o flash, a luz dele dura menos de 1 ms.

Fechar os olhos e cobrir com os dedos não estava funcionando, pois a luz atravessava assim mesmo. Eu estava muito perto, logo atrás da câmera. A solução foi cobrir os olhos com as palmas das mãos. Luzes fortes, como a de um flash perto, podem atravessar a pele da pessoa. É conveniente proteger os olhos em situações assim.

Se eu estivesse em um ambiente menor, ou fosse uma caixa preparada para a lente ficar dentro. Eu poderia usar menos potência do flash. Aliás, eu teria que usar menos potência.

Como a luz estava bem rebatida, tinha pouco reflexo, mas tinha. Eu poderia controlar o reflexo não metálico com um filtro polarizador, e acho que isto iria funcionar com o plástico e a tinta que cobre a lente, mas não iria funcionar com as partes metálicas da lente. E só pensei nisto depois.

Reflexo no corpo da lente, fazendo uma faixa de luz horizontal interrompida pelo anel de foco e o anel de abertura.

Outra observação - que só fiz agora, enquanto escrevia o texto - é que pode ser o reflexo do omnibounce colocado no flash. Então, um modo de controlar este reflexo seria colocar o flash mais distante do objeto fotografado, de modo que nenhuma luz dele alcance diretamente o objeto. Ou até mesmo não usar o omnibounce.

Mas não posso reclamar muito deste reflexo, pois deu um certo estilo.

Outra observação é a parcial da minha digital que dá para ver na foto acima. Ela está na escala de foco, perto do anel de foco, bem no reflexo. Eu usei as mãos para lidar com a lente, e, ao ver esta mancha, vi que tinha que ter usado luvas e limpado a lente com lenço de papel ou algo parecido. Fiz um serviço porco.

As fotos não estão ruins, mas não estão realmente boas. E não considero um fracasso, pois aprendi algumas coisas fazendo estas fotos, e pratiquei outras. Teria sido um fracasso se eu não tivesse aprendido nada.

Quem acompanha o meu blog possivelmente sabe que eu gosto de ensinar, e até compartilhar o que aprendo e descubro. Pena que não tenho tido tempo de escrever sobre tudo que gostaria de escrever, tudo o que eu sei, as minhas experiências etc.

PS: Será que vale a pena fazer uma caixa de luz como esta para fotografia de produtos?

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