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Sou viciado em computação, Internet e Fotografia. Morei por quase 6 anos, e ainda frequento, Paraty. Sou usuário de softwares Open Source, tendo dado algumas contribuições em diversas ocasiões.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Quantos gênios e artistas se perderam?

Alguém já pensou quantos grandes artistas nunca foram reconhecidos, mesmo que tenham buscado o reconhecimento e viver da sua arte? E quantos nunca procuraram reconhecimento? E quantos só tinham a arte como hobby? Tem vezes que paro para pensar nisto, e faz algum tempo penso em escrever sobre isto.

Muitos artistas, e até cientistas, só são reconhecidos depois da sua morte. Por exemplo, boa parte da genialidade do Leonardo da Vinci só foi reconhecida muito tempo depois, pois ele estava muito adiante do seu tempo. E já soube que estima-se que 3/4 de suas anotações foram perdidas. Imagine a quantidade de coisas anotadas por ele que ainda nos surpreenderia.

Um exemplo de reconhecimento tardio foi Gregor Mendel, pai da Genética, que estudou hereditariedade durante anos, e publicou o seu trabalho num livro em 1866, tendo apresentado-o antes em 1865, mas ninguém deu a merecida atenção. Faleceu em 1884. O seu trabalho só foi redescoberto em 1900, 16 anos após a sua morte. Imagine se ele não tivesse publicado um livro. Possivelmente não teria sido redescoberto, e teria demorado mais alguns anos para alguém entender como funcionava a genética. Mendel entendeu quase 50 anos antes de todos os outros cientistas.

Alguns grandes artistas também tiveram dificuldade de serem reconhecidos. O Vincent van Gogh foi um grande caso. Ele tinha dificuldade de ter relacionamentos pessoais, e mais uma doença mental, como vários em sua família tiveram. Isto pode ter contribuído para a sua genialidade, como também para o seu não reconhecimento em vida e as dificuldades de relacionamento interpessoais. Ele só foi reconhecido anos após a sua morte, vivendo como um artista fracassado durante a sua vida.

Algumas pessoas se dedicam a algumas coisas, como estudos, experiências, artes etc, como atividades paralelas, e acabam sendo mais conhecidos posteriormente por estas atividades paralelas do que pelo trabalho que exerceram oficialmente. Um caso foi Antoine Lavoisier, conhecido como o pai da química moderna. Mas aí tem mais uma personagem não tão reconhecida, mas sem ela, Lavoisier talvez não tivesse sido tão reconhecido, nem tivesse chegado tão longe. A esposa dele, Marie-Anne Pierrette Paulze, que apoiou, organizou, trabalhou junto, publicou o trabalho dele, além de lutar pelo resgate do que teria se perdido para sempre. (Aqui tem o velho clichê: "Atrás de um grande homem tem sempre uma grande mulher.".) O mais curioso é que o Lavoisier é conhecido pelo seu trabalho com química, mas foi morto, e teve seus estudos quase destruídos e perdidos para sempre, por causa do seu trabalho de dia a dia: coletor de impostos.


Muitos gênios foram perdidos, tiveram seus trabalhos perdidos, devido à ditaduras, nazismo, fascismo, intolerâncias (inclusive religiosas), inquisição etc. Galileu Galilei quase foi um destes. Lavoisier foi vítima da Revolução Francesa, e quase teve o seu trabalho todo perdido.

Quantos tiveram que ter um trabalho chato para se sustentar, pois não tinham reconhecimento pela sua arte, ou seu conhecimento? Albert Einstein teve durante anos um medíocre trabalho no escritório de patentes antes de ter a sua genialidade reconhecida.

Mas será que os casos de reconhecimento são regra ou exceção? Quantos gênios realmente são reconhecidos? Quantos exercem a sua genialidade como hobby, como passatempo, e não buscam reconhecimento. Podem ser até que não se achem tão geniais assim. E quantos tem o seu trabalho não reconhecido pela família, e após a sua morte tudo é jogado fora? Eu acredito que muitos, talvez a maioria: "Ele fazia uns quadros de vez em quando, perdia um tempo danado com eles. Que bobagem. Jogamos tudo no lixo depois que morreu."

Uma vez soube de um caso que me deixou triste. Eu estava em uma loja de material fotográfico e um cliente da loja me contou o que assistiu em outra loja. Um porteiro de um prédio chegou com um conjunto de lentes para vender.  Ele queria um trocado. Várias estavam danificadas por impacto, sujas, e várias com fungos. O porteiro contou que um fotógrafo que morava no prédio em que ele trabalhava faleceu, e a família veio desmontar o apartamento dele. Eles pegaram o material dele e jogaram pela lixeira do prédio, pelo alçapão que leva o lixo do andar até a lixeira no térreo do prédio. Ele pegou o que pode e resolveu vender. O porteiro salvou o que ele entendeu que dava para salvar, mesmo não tendo um valor direto para ele, ele achou que teria um valor para alguém, e que daria para ganhar alguma coisa com isto. O porteiro deu mais valor ao material do fotógrafo do que os próprios filhos dele. Eu pensei: "E o acervo, as fotos, os negativos etc?". Isto me deixou triste.

Conheço um fotógrafo que comprou em uma feira de antiguidades, por um preço baixo, uma coleção de centenas de cromos de Roma, inclusive do Vaticano, e de áreas de acesso restrito do Vaticano. Ele não sabe quem tirou as fotos, mas reconheceu o valor delas, pela qualidade das imagens e o acesso que o autor teve para fazer várias delas. Talvez mais um caso no qual a família não deu valor ao que tinha.

Semanas atrás, em uma feira de antiguidades, vi uma banquinha vendendo uma grande quantidade de fotografias, retratos etc. Parecia ser o acervo de mais de um fotógrafo profissional, daqueles que atuaram na primeira metade e meados do século 20. Elas estavam sendo vendidas individualmente, as separando do acervo, e as pessoas estavam pegando de qualquer modo, sem ser pelas bordas. Me deu dó no coração.

Um caso que me impressiona, que me emociona, foi o da Vivian Maier, que tinha tudo para se perder, tal como os casos que citei acima. O acervo dela poderia ter ido parar no lixo, ter sido completamente dispersado etc, mas calhou de um jovem se impressionar com algumas "fotos dispersas" que comprou, e voltar para comprar todo o resto, além de correr atrás para recuperar o que tinha sido separado. Muito obrigado John Maloof. (Thank you very much, John Maloof.)

Quantos gênios se perderam neste tempo, que até publicaram seu material e não foram reconhecidos, que a família jogou tudo fora etc? Muita gente tem um trabalho, mas que nos tempos vagos faz algo para si, sem se importar com a opinião dos outros, inclusive da família. Quanta gente faz algo extraordinário e não mostra para ninguém, como a Vivian Maier? Quantas famílias não reconhecem e até desvalorizam, o que algum membro dela faz, e na primeira oportunidade jogam tudo fora?

Portanto, antes de jogar qualquer coisa de um falecido fora, especialmente se criado ou colecionado por ele, tente entender o que significa aquilo. Podem ter em mãos algo realmente muito valioso e não saber.

Eu termino perguntando... Quantos gênios e artistas se perderam?

2 comentários:

  1. Bom dia,

    interessante artigo. Parabéns.

    Talvez no passado se perdiam menos coisas, tanto pela quantidade menor que era produzira, e também, penso que principalmente, pelos tempos contemporâneos ser de descartabilidade.

    Parabéns também pelo blog.

    Até.

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  2. Anos depois de escrever este artigo conheci uma pessoa que teve um tio fotógrafo amador. Quando este tio morreu a mãe de quem me contou a história (não sei se era irmã, cunhada etc, do fotógrafo) jogou quase tudo fora.

    Basicamente se salvaram alguns poucas lentes, uma câmera, alguns filtros etc. O acervo foi todo para o lixo. Eu comentei que ela pode ter jogado fora alguns milhares de Reais em lentes, e talvez até milhões de Reais em fotos.

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