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Sou viciado em computação, Internet e Fotografia. Morei por quase 6 anos, e ainda frequento, Paraty. Sou usuário de softwares Open Source, tendo dado algumas contribuições em diversas ocasiões.

terça-feira, 17 de abril de 2018

3 dias estudando

Estudar é bom, e de vez em quando se aprende outras coisas inesperadas pelo caminho. Vai se estudar uma coisa, e aprende-se outra junto.

Eu confesso que tenho alguma dificuldade de fazer foco manual. Quando fotografava na adolescência usava uma câmera de foco fixo, e quando retornei a fotografia já adulto passei a usar essencialmente o autofoco. O autofoco é um grande recurso, que melhora as fotos, e agiliza o processo. Acho que fiquei acomodado, mas acredito que não seja o único.

A maioria das minhas lentes são autofoco, mas tenho algumas lentes que não tem este recurso, inclusive as minhas duas lentes mais claras. Uma delas usei nas duas sessões de fotos com uma grande amiga minha (Ver Usando uma 50mm F1.4 Ai-S na D90 e Segunda sessão com a Tatiana Fasuolo.).

Então resolvi praticar foco manual.

Como eu tenho uma Nikon Df, uma câmera digital criada para poder ser usada como uma antiga câmera mecânica, resolvi seguir este caminho. Coloquei a lente mais clara que eu tenho, uma Nikkor 55mm f1.2 K lançada em 1974 que foi modificada para Ai-S (variação do sistema F criada pela Nikon em 1977), um filtro polarizador, e um para-sol retrátil de borracha. Como todas (ou quase todas) lentes de sua época, o ajuste de abertura é feito pelo anel que fica junto ao corpo da câmera, e que encaixa mecanicamente a um mecanismo no corpo da câmera para informar a abertura que está ajustada na lente.

Por algum motivo que não lembro, a câmera estava configurada para fotômetro spot, e resolvi continuar assim. Isto me permitiria medir pequenas partes da cena para decidir a exposição.

Travei a câmera em ISO 100, e coloquei no modo manual. Liberei o ajuste de tempo de exposição de modo que pudesse usá-lo, e não mais usar a rodinha atrás da câmera.

Pronto, eu estava usando a câmera como se usasse uma do final da década de 1970 ou início de 1980 (o que é quase sem diferença em relação às câmeras da década de 1970 e as de 1960 com fotômetro embutido). Exceto que eu tinha um assistente para ajudar no autofoco, e poderia rever as fotos e ver o histograma delas logo depois de feitas. Estes recursos modernos agilizam o processo de aprendizado, não precisando revelar a foto e ver que fez besteira dias depois.

Sabendo que o zero do fotômetro da câmera é cerca de -3 EV  (o texto em inglês parece melhor) do máximo de exposição da câmera, eu sabia que poderia superexpor algumas coisas, que são naturalmente claras, sem atingir o limite da câmera.

O filtro polarizador seria usado para realçar contraste, limpar o céu, controlar reflexos etc.

Em suma, eu tinha que controlar o foco, o filtro polarizador, a abertura da lente e o tempo de exposição, além de escolher a cena, fazer o enquadramento etc. Um bom treinamento.

Abaixo um teste do filtro polarizador, como o ajuste dele pode fazer diferença.



Como falei, o filtro polarizador serve para controlar o reflexo de superfícies não metálicas. Este reflexo pode ser realçado retirando parte da luz não polarizada da cena e pouco alterando a luz polarizada. Ele pode ser eliminado, deixando basicamente a componente de luz perpendicular à luz polarizada quem vem do reflexo. E ele pode ser atenuado, até algum ponto desejado, como mostrado abaixo:


O reflexo na madeira, e nas gotas d'água foram controlados para conseguir o tom desejado na foto, dando o desejado destaque às partes. Não ajustei para os extremos, e sim, para um ponto intermediário.

Outro uso para um filtro polarizador é para controlar a dispersão atmosférica, e aprofundar o azul do céu, realçando detalhes em nuvens.


Estes usos do filtro polarizador eu já conhecia, e já tinha feito antes, mas tive a oportunidade de praticar bem controladamente, bem conscientemente.

Eu escolhia as partes brancas, mais claras, e as colocava superexpostas segundo o fotômetro, mas abaixo do +2EV. Então sabia que não as perderia por atingir o limite, e elas seriam bem claras na foto. Alguns exemplos abaixo:



Nestes dois casos medi a parede branca deixando entre +1 e + 2 EV em relação ao zero do fotômetro. O resto veio normalmente. Aliás, na primeira até ficou clara demais, e na segunda poderia ter ficado um pouco mais clara.

Sei que Ansel Adams fazia ao contrário, medindo as sombras (ver Sistema de Zonas), mas o filme se comporta de forma diferente da fotografia digital, e até oposta em alguns aspectos. O filme não causa uma perda total de informação quando atinge o limite superior de exposição, como acontece na fotografia digital. Por isto que fiz o oposto do Sistema de Zonas, evitando atingir este limite de exposição.

Não digo que o Sistema de Zonas é inútil, pelo contrário. Sem ele eu não teria este entendimento tão claro. Todo fotógrafo tem que conhecer ele.

O céu faz parte da paisagem, então ele tem que ser visível, e este foi um dos motivos para usar um filtro polarizador. Foi para valorizar o céu. Então o nível de exposição, a fotometria, tem que levar o céu em conta.

Olhe as fotos abaixo:



Na primeira eu medi a parede (no caso, da igreja), tal como fiz nas mostradas anteriormente, e quando olhei o resultado vi que tinha perdido o céu. Então resolvi medir o que tinha de mais claro na cena, que era o céu, usando o critério de colocar o céu em no máximo de +2EV no fotômetro. Com isto o tempo de exposição foi de 1/60 para 1/250 de segundo. O céu estava cerca de 2 EV mais claro do que a parede.

Medindo as paredes brancas também causou outras perdas do céu muito claro, como pode ser visto abaixo.



A questão foi resolvida medindo a nuvem no céu, mas o casario ficou muito escuro. A nuven estava muito brilhante. A primeira foto foi feita com 1/60s e F4, e a segunda com 1/500s e F4, isto é 3 EV de diferença.


A situação foi melhorada editando o arquivo raw com um programa de HDR para refazer o mapeamento de tons por um que clareasse o casario. Aliás, esta é a única foto editada neste artigo, todo o resto é SOOC, ou seja, tal como saiu da câmera.

Outra forma de editar seria fazer uma máscara e editar o céu separadamente do resto. Faziam muito isto no tempo do filme, com o ampliador.

Foi uma experiência muito boa, um modo de trabalhar bastante manual que eu não tinha praticado ainda. Antes, mesmo fazendo fotos manualmente, eu não tinha usado o fotômetro no modo spot, e sim, prioridade central, medindo o centro da cena. Agora, usando o modo spot do fotômetro, eu tive que tomar mais consciência ainda da cena e dos seus elementos mais claros, e pensar nas consequências de cada um deles.

Foi uma boa experiência, que recomendo que os todos apreciadores da fotografia façam, e que pretendo repetir. Não fiz mais porque choveu muito nos dias seguintes.

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